Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no segundo turno da eleição 2026, segundo a apuração do TSE. Para quem vende a prazo, o resultado importa pelo que sinaliza para juros, câmbio e capacidade de pagamento dos clientes.
O resultado
Com 99,77% das seções apuradas (posição das 21h14, horário de Brasília), o portal de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República no 2º turno realizado em 25 de outubro de 2026. O candidato recebeu 64.076.924 votos, o equivalente a 51,76% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.727.910 votos (48,24%).
A abstenção foi de 30.417.909 eleitores (19,21%). Foram registrados 1.427.666 votos brancos (1,12%) e 2.716.776 votos nulos (2,12%). A diferença de 4.349.014 votos, com 99,77% das seções apuradas, torna o resultado matematicamente irreversível; a proclamação formal pelo TSE ainda não consta no portal. Os percentuais ainda variam na casa dos centésimos até o fim da apuração. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027, data fixada pela Emenda Constitucional 111/2021.
No 1º turno, em 4 de outubro, a abstenção foi de 33.469.244 eleitores (21,08%), segundo o portal de resultados do TSE. Com o resultado, Lula conquista seu quarto mandato presidencial, o segundo consecutivo; ele havia ficado em segundo lugar no 1º turno.
A votação e a prorrogação até as 19h
Neste 25 de outubro, a votação foi prorrogada até as 19h (horário de Brasília) nas seções que ainda estavam abertas. A decisão é do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Reclamação 101.673/BA, e vale apenas onde as urnas ainda funcionavam: os votos de urnas já encerradas são contados normalmente. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, cumpriu a determinação e informou aos tribunais regionais que não há reabertura de seções já encerradas. Com isso, a divulgação dos resultados passou a começar a partir das 19h, e os números oficiais só valem depois da totalização do TSE.
Quem são os dois candidatos do 2º turno
Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o TSE, tem 45 anos, é advogado, natural de Resende (RJ), foi deputado estadual e é senador pelo Rio de Janeiro. Disputou a Presidência em 2026 com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice. No 1º turno, em 4 de outubro, liderou com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos, segundo o portal de resultados do TSE). Seu programa, conforme reportagens da Folha e da Exame, prevê reformular as regras fiscais com teto para gastos discricionários dos três Poderes e metas de redução da dívida/PIB, o chamado "tesouraço" (extinção de ao menos dez ministérios e corte de cargos comissionados e despesas administrativas), retomada do Programa Nacional de Desestatização, PPPs e concessões, revisão da reforma tributária do consumo para reduzir a alíquota do IVA e limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o TSE, tem 80 anos, é natural de Garanhuns (PE), presidiu o país entre 2003 e 2010 e exerce o terceiro mandato (2023-2026). Candidato à reeleição, tem Geraldo Alckmin (PSB), 73 anos, médico e ex-governador de São Paulo, como vice. No 1º turno, obteve 53.879.538 votos (45,16% dos válidos). Seu programa, segundo Folha e Exame, defende a manutenção do arcabouço fiscal para conter o crescimento das despesas e abrir espaço para queda dos juros, nova edição do Novo PAC, fortalecimento de programas de crédito como Pronampe, Acredita e Procred 360 e regulamentação da reforma tributária com isenção da cesta básica.
Segundo a Folha, nenhum dos dois planos detalha medidas específicas de ajuste fiscal.
Qual é a projeção da Selic para 2027 e o ponto de partida do próximo mandato?
O próximo mandato começa em um ambiente desafiador para quem vende a prazo:
- Selic: está em 13,75% ao ano. O Boletim Focus do Banco Central de 19/10/2026 projeta 13,25% ao fim de 2026 e 12,00% ao fim de 2027 (mediana mantida há 18 semanas).
- Inflação e atividade: o mesmo Focus projeta IPCA de 5,22% em 2026 e 4,32% em 2027, acima da meta de 3%, e PIB de 1,83% em 2026 e 1,32% em 2027.
- Inadimplência entre empresas: segundo a Serasa Experian, o número de CNPJs inadimplentes chegou ao recorde de 9,3 milhões em agosto, com R$ 244,4 bilhões em dívidas; micro e pequenas empresas concentram 8,8 milhões desses registros.
- Crédito: as concessões totais cresceram 1,7% em agosto na série com ajuste sazonal, segundo o Banco Central; a Serasa Experian aponta R$ 729,2 bilhões concedidos no mês e alta de 10,7% em 12 meses, com boa parte da expansão entre empresas financiando capital de giro. A Serasa projeta Selic de 13,50% ao fim de 2026 e avalia que os pedidos de recuperação judicial ainda não indicam normalização.
- Contas públicas: segundo as Estatísticas Fiscais do Banco Central (31/07/2026), a dívida bruta do governo geral ficou em 81,9% do PIB em junho e o déficit nominal em 12 meses, em 9,99% do PIB.
O ângulo TradeRisk: cenários para quem vende a prazo
A reeleição de Lula encerra a incerteza eleitoral, mas abre outra: a da execução. Os cenários abaixo são leituras possíveis, não previsões.
Cenário 1: agenda fiscal executada e juros em queda
Economistas-chefes ouvidos pela Folha avaliam que a confiança do mercado, com qualquer vencedor, depende da melhora da trajetória das contas públicas; uma percepção de maior controle da dívida tende a abrir espaço para a queda dos juros. Se o governo converter suas propostas fiscais em medidas concretas, a trajetória de cortes projetada pelo Focus, com Selic a 13,25% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027, tende a se confirmar. Para o crédito comercial, isso significaria alívio gradual no custo do capital de giro e, com defasagem, no caixa dos compradores.
Cenário 2: dificuldade de execução e volatilidade
A Folha registrou que, após o 1º turno, os juros futuros recuaram e o dólar caiu, e economistas ouvidos pelo jornal condicionaram a continuidade desse movimento a medidas concretas do próximo mandato, qualquer que fosse o vencedor. Parte das medidas propostas depende do Congresso. Se a tramitação for lenta ou as sinalizações fiscais não convencerem, juros futuros e câmbio podem voltar a subir, e o Banco Central pode adotar mais cautela no ritmo de cortes. Isso prolongaria a pressão sobre empresas endividadas e sobre a inadimplência entre empresas, que já está em nível recorde segundo a Serasa Experian.
Cenário 3: mudanças de política e efeitos setoriais
A proposta de fortalecer Pronampe, Acredita e Procred 360, além de nova edição do Novo PAC, pode sustentar o acesso a crédito de micro e pequenas empresas, justamente o grupo que concentra 8,8 milhões dos CNPJs inadimplentes apontados pela Serasa Experian. Cadeias ligadas a obras públicas e infraestrutura podem ganhar fôlego, com efeitos distintos por setor. Ao mesmo tempo, mais crédito para compradores já endividados exige atenção redobrada de quem vende a prazo: capacidade de compra não é o mesmo que capacidade de pagamento.
O que não muda no curto prazo
A política monetária age com defasagem. O novo mandato começa em 5 de janeiro, e as projeções do Focus já indicam crescimento modesto em 2027. A carteira de recebíveis que vence no primeiro semestre do ano que vem será paga por clientes que hoje enfrentam juros próximos de 14% ao ano.
Perguntas frequentes
O que muda para o crédito das empresas depois do segundo turno da eleição 2026? No curto prazo, pouco muda: os juros seguem altos e a inadimplência das empresas está em nível recorde, segundo a Serasa Experian. O efeito do resultado depende das medidas fiscais do governo, que influenciam juros futuros, câmbio e, com defasagem, o custo do capital de giro e a capacidade de pagamento dos clientes.
Qual é a projeção da Selic para 2027? Segundo o Boletim Focus do Banco Central de 19 de outubro de 2026, a mediana das projeções do mercado para a Selic é de 13,25% ao fim de 2026 e de 12,00% ao fim de 2027. Para 2028, a mediana é de 10,50%, segundo o mesmo relatório. As projeções podem mudar com as sinalizações do governo.
A eleição muda a inadimplência das empresas no curto prazo? Dificilmente. A inadimplência reflete juros, atividade e caixa dos devedores, e esses fatores mudam devagar. Em agosto, a Serasa Experian contou 9,3 milhões de CNPJs inadimplentes. A política monetária age com defasagem, e os recebíveis do primeiro semestre de 2027 serão pagos por clientes que enfrentam o cenário de juros atual.
Como proteger as vendas a prazo em 2027? Revisando limites de crédito por cliente, monitorando sinais precoces de estresse financeiro, evitando concentração da carteira e combinando instrumentos como fiança bancária, cartas de crédito e seguro de crédito. Tratar o recebível como ativo estratégico dá mais segurança para crescer as vendas mesmo com juros elevados.
Como se preparar, qualquer que seja o cenário
A eleição muda expectativas, não a qualidade da carteira da noite para o dia. Cuidados válidos em todos os cenários:
- Revisar limites de crédito por cliente, priorizando setores mais sensíveis a juros e a mudanças de política pública, como varejo, construção e fornecedores do setor público.
- Monitorar sinais precoces de estresse, como pedidos de alongamento de prazo, protestos e recuperações judiciais no setor.
- Evitar concentração de faturamento a prazo em poucos clientes.
- Combinar instrumentos de garantia, como fiança bancária, cartas de crédito e seguro de crédito.
- Tratar o recebível como ativo estratégico, que melhora o acesso a financiamento.
A TradeRisk pode ajudar sua empresa a avaliar a exposição da carteira diante do novo cenário. Fale com um especialista.
Fontes: Supremo Tribunal Federal, Reclamação 101.673/BA, e a cobertura da prorrogação da votação em G1 e na Agência Brasil (25/10/2026); Tribunal Superior Eleitoral (resultados e perfis, 05/10/2026) e portal de resultados (1º turno); Banco Central do Brasil, Boletim Focus (19/10/2026); Serasa Experian, Boletim Econômico de outubro/2026 e indicadores; Folha de S.Paulo, propostas dos candidatos (22/10/2026) e plano fiscal e confiança do mercado (11/10/2026); Exame, planos para a economia; Banco Central do Brasil, Estatísticas Fiscais (31/07/2026); Banco Central do Brasil, Estatísticas Monetárias e de Crédito (29/09/2026). Projeções de mercado não constituem garantia de resultado. Conteúdo informativo e apartidário.
