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    Seguro de Crédito

    Inadimplência das empresas: quando o banco recua, o fornecedor vira financiador

    TradeRisk29 de setembro de 20265 min de leitura
    Inadimplência das empresas: quando o banco recua, o fornecedor vira financiador

    A inadimplência das empresas no crédito bancário com recursos livres subiu a 4,3% em agosto, e o saldo dessas linhas caiu 0,6% no mês, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central do Brasil (BC), divulgadas em 29/09/2026. Quando o crédito bancário recua, o comprador B2B tende a se financiar no fornecedor: pede mais prazo e atrasa pagamentos. Quem vende a prazo precisa rever limite por setor, encurtar prazo, vigiar sinais e proteger a carteira.

    O que os números de agosto mostram para quem vende a prazo?

    Que o atraso sobe no crédito livre às empresas enquanto o saldo dessas linhas encolhe.

    No sistema financeiro como um todo, a inadimplência chegou a 5,0% em agosto, recorde da série iniciada em 2011. Nas empresas, o indicador total ficou estável em 3,3%, mas subiu nas linhas com recursos livres, as que financiam o dia a dia: 4,3%, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,5 ponto percentual em 12 meses. No mesmo mês, o saldo do crédito livre às empresas recuou 0,6%. Segundo o levantamento, pesaram as reduções em capital de giro e em desconto de duplicatas e outros recebíveis.

    Capital de giro e desconto de duplicatas são linhas que financiam o caixa do dia a dia das empresas, inclusive o pagamento a fornecedores. Quando elas encolhem, parte da conta tende a chegar a quem vendeu a prazo.

    O horizonte não é curto. Em relatório divulgado também em 29/09/2026, a agência de classificação de risco Moody's projeta que o perfil de crédito das empresas brasileiras não financeiras e de infraestrutura seguirá pressionado até 2027, com queda de mais de 3% do Ebitda agregado em 2027 e opções limitadas para refinanciar dívidas.

    Por que o cliente passa a se financiar com o fornecedor?

    Porque o prazo do fornecedor é o crédito mais fácil de conseguir quando o acesso ao banco fica mais difícil. Não exige contrato, garantia nem comitê. Basta pedir mais dias na próxima compra ou pagar o boleto uma semana depois.

    Para o comprador, é capital de giro sem custo explícito. Para o fornecedor, é um empréstimo sem garantia a um cliente cujo risco pode ter aumentado desde que o limite foi aprovado, com a perda inteira se ele não pagar.

    Quais setores pedem revisão de limite agora?

    Os setores abaixo estão entre os que o relatório aponta como mais pressionados, e a revisão vale também para as cadeias que vendem para eles.

    Setor do compradorPressão apontada no relatórioO que revisar
    Aviação, transporte e químicoCombustível e matéria-prima caros, com margem e geração de caixa apertadasLimite por comprador e concentração no setor
    SiderurgiaConcorrência de importados, especialmente da ChinaPrazo concedido e exposição por grupo econômico
    AgroRisco de perdas de produção com o El Niño, conforme a regiãoLimite por região e calendário de safra
    Proteína animalMilho e soja mais caros com a menor oferta de grãosPrazo e limite de quem vende insumos e serviços ao setor
    Energia elétricaEl Niño reduz a geração hidrelétrica e, com a demanda maior, os custos do setor sobem, sobretudo para quem tem geração renovável relevante e investimento contínuoLimite por comprador e prazo em contratos de fornecimento longos

    Revisar não é cortar todos os limites. É reavaliar cada comprador desses setores com dados recentes e decidir se o limite ainda cabe no risco atual. Limite aprovado em outro cenário precisa ser revisto. Foi essa a lógica da recalibração de limite no setor de serviços.

    Como encurtar prazo sem perder o cliente?

    Com critério, não com corte linear. Três ajustes funcionam melhor juntos:

      • Prazo por risco. Clientes em dia e com balanço sólido mantêm as condições. Compradores dos setores pressionados ou com atraso recente passam a prazos menores nos pedidos novos.
      • Prazo não é argumento de venda. Pedido de mais dias para fechar negócio passa pela área de crédito, com alçada, como qualquer aumento de limite.
      • Alternativas ao prazo longo. Entrada no pedido, parcelas mais curtas ou desconto para pagamento antecipado preservam a venda e reduzem a exposição.

    Quais sinais mostram que o cliente está usando você como banco?

    Os primeiros aparecem no próprio contas a receber:

      • Pedido de prazo maior sem aumento de volume.
      • Pagamento sistemático alguns dias depois do vencimento.
      • Pagamentos parciais ou pedido para dividir títulos já emitidos.
      • Pedidos acima do padrão, concentrados no fornecedor que dá prazo.
      • Demora ou recusa em enviar balanço e informação financeira atualizada.

    Um sinal isolado pode ser ruído. Dois ou três juntos pedem reanálise do limite. Os mesmos indicadores aparecem, em estágio mais avançado, entre os sinais precoces de deterioração do comprador B2B antes da recuperação judicial.

    Onde o seguro de crédito entra nessa decisão?

    O seguro de crédito protege recebíveis elegíveis contra o não pagamento do comprador, dentro do limite aprovado para cada um e nas condições da apólice.

    Ele também traz informação: a seguradora acompanha os compradores e pode rever limites quando o risco muda, o que dá um segundo olhar sobre a carteira. Para que a proteção valha na hora do atraso, o fornecedor precisa manter a rotina que deixa a indenização viável.

    O seguro não substitui a política de crédito. Ele atua sobre o risco que sobra depois dela, dentro dos limites e das condições da apólice, e permite manter as vendas sem que o fornecedor carregue sozinho a inadimplência do cliente.

    FAQ

    A inadimplência das empresas bateu recorde em agosto?

    Não. O recorde foi da inadimplência total do sistema financeiro, que chegou a 5,0%, o maior nível da série iniciada em 2011. Nas empresas, o indicador total ficou estável em 3,3%, e o das linhas com recursos livres subiu para 4,3%, abaixo do pico de 6,1% registrado em maio de 2017.

    Por que menos crédito bancário aumenta o risco do fornecedor?

    Porque o comprador com menos acesso ao banco tende a usar o prazo do fornecedor como capital de giro, e o fornecedor passa a financiá-lo sem garantia.

    Quais setores estão mais expostos até 2027?

    O relatório da Moody's divulgado em 29/09/2026 aponta aviação, transporte, químico, siderurgia, energia elétrica, agro e proteína animal entre os setores mais pressionados até 2027.

    O seguro de crédito substitui a análise de crédito?

    Não. Ele protege recebíveis elegíveis dentro do limite aprovado para cada comprador e nas condições da apólice. Limite, prazo e acompanhamento de sinais seguem sob responsabilidade do fornecedor.

    O que o cenário de agosto exige de quem vende a prazo?

    Não um freio geral nas vendas, e sim decisão de crédito atualizada: limite revisto nos setores pressionados, prazo ligado ao risco e carteira protegida. A TradeRisk atua na ligação entre política de crédito e proteção de recebíveis, para que cada limite tenha critério antes do primeiro atraso.

    Fontes:

    Fale com um especialista TradeRisk e veja como revisar limites e proteger a carteira a prazo neste cenário — agende uma conversa.