O prazo de pagamento B2B no Brasil é de 66 dias em média, o mais longo da América Latina, empatado com a Argentina e dez dias acima da média regional de 56. O dado é da pesquisa anual de pagamentos da Coface, publicada em junho de 2026. Para o fornecedor, cada dia além da média é capital de giro parado na mão do cliente e risco de crédito que fica mais tempo em aberto.
O que a pesquisa da Coface mostra sobre o prazo médio de pagamento?
A Coface, seguradora de crédito, ouviu 272 empresas, com resultados para seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru), entre abril e maio de 2026, no estudo Pesquisa de Pagamentos América Latina 2026. Os números que importam:
- Brasil: 66 dias de prazo médio em 2026, o mesmo patamar de 2025
- Argentina: 66 dias, ante 57 no ano anterior
- Média regional: 56 dias, ante 59 em 2025
- Peru: 43 dias, o prazo mais curto da região
O Brasil ficou parado no topo: enquanto Chile, Colômbia e Peru reduziram prazo, o fornecedor brasileiro manteve a mesma janela de pagamento, com juros básicos altos e clientes pressionados.
Por que o fornecedor brasileiro dá mais prazo que o vizinho?
A pesquisa aponta o principal motivo regional para conceder crédito comercial: a prática de mercado. Na América Latina, 95% das empresas venderam a prazo em 2026, ante 88% em 2025. Vender a prazo deixou de ser diferencial e virou condição para participar da negociação.
Na leitura da TradeRisk, três fatores reforçam esse padrão no Brasil:
- Concorrência pelo cliente. Quem encurta o prazo sozinho perde pedido para quem não encurta.
- Cliente que financia o próprio caixa no fornecedor. Com crédito bancário caro, o prazo comercial vira a linha de financiamento mais barata do comprador, como mostra inadimplência de empresas e o fornecedor.
- Cadeias longas. Na indústria, a venda passa por vários elos, e cada um repassa ao seguinte o prazo que recebeu.
A Coface registra que o custo alto de financiamento foi citado com mais força no Brasil, onde 36% das empresas o apontaram como fator dos atrasos, com a Selic em 14,5% no início de junho de 2026. Prazo longo e dinheiro caro se alimentam: o cliente estica o pagamento, e o fornecedor paga o mesmo custo para cobrir o buraco.
Quanto capital de giro esses 66 dias prendem?
Divida o faturamento mensal a prazo por 30 e multiplique pelo número de dias de prazo. O resultado é quanto da receita fica, em média, na carteira de recebíveis.
Um exemplo hipotético: uma indústria que fatura R$ 3 milhões por mês a prazo vende cerca de R$ 100 mil por dia. Com 66 dias, carrega perto de R$ 6,6 milhões em contas a receber. Se praticasse a média regional de 56 dias, seriam R$ 5,6 milhões. A diferença, R$ 1 milhão, é caixa que precisa vir de capital próprio ou de dívida.
Dois cuidados na leitura:
- Prazo concedido não é prazo realizado. O atraso soma dias à conta. Na pesquisa, o atraso médio no Brasil caiu de 35 dias em 2025 para 31 em 2026.
- Média esconde concentração. Um cliente grande com prazo de 90 dias pode pesar mais na média ponderada pelo valor do que dez pequenos com 30.
O atraso também é maior no Brasil?
Os atrasos ficaram mais frequentes e mais curtos na região. Na América Latina, 79% das empresas relataram pagamentos em atraso em 2026, ante 77% em 2025, e o Brasil ficou acima desse patamar. A duração média do atraso caiu de 42 para 33 dias na região.
O motivo mais citado para os atrasos foi a inadimplência dos próprios clientes, mencionada por 63% das empresas. É o efeito em cascata: quem não recebe deixa de pagar o fornecedor. Segundo a Coface, com base em estatísticas nacionais, o Brasil teve recorde de 2.466 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 13% sobre o ano anterior.
Prazo longo e atraso frequente formam a combinação mais cara para a carteira: o dinheiro demora mais para entrar e, quando não entra, a exposição acumulada é maior. Para organizar a cobrança desde o primeiro dia de atraso, veja a régua de cobrança B2B.
Quando vale encurtar o prazo de pagamento de um cliente?
Encurtar prazo para toda a carteira costuma custar venda; a decisão funciona melhor cliente a cliente. A revisão da carteira por porte está em inadimplência B2B e política de vendas a prazo. Considere reduzir quando:
- O cliente atrasa de forma recorrente, mesmo que pague no fim
- A exposição está concentrada em poucos compradores
- O cadastro está desatualizado ou o cliente se recusa a atualizar
- O setor do cliente piorou, com mais pedidos de recuperação judicial ou demanda em queda
- O pedido novo foge do padrão de volume ou de prazo do histórico
Alternativas ao corte puro: desconto para pagamento antecipado, entrada parcial, prazo menor só para pedidos acima de determinado valor ou parcelamento da mesma venda em vencimentos mais curtos.
Como ligar prazo à classificação de risco do cliente?
Prazo é decisão de crédito, não só comercial. Defina faixas de risco para a carteira e associe a cada faixa um prazo máximo e um limite:
- Risco baixo: prazo de mercado, limite revisado uma vez por ano
- Risco médio: prazo de mercado com limite menor e revisão semestral
- Risco alto: prazo encurtado, pagamento antecipado parcial ou venda à vista
Gatilhos de revisão evitam que o cliente mude de faixa sem que ninguém perceba: atraso acima de um número de dias definido, protesto, pedido de recuperação judicial de um grande cliente dele ou variação brusca no volume de compra. O passo a passo está em análise de risco de crédito de pessoa jurídica.
Onde a proteção de recebíveis entra nessa conta?
Nem sempre dá para encurtar. Às vezes o cliente é estratégico, o concorrente oferece 90 dias ou o setor inteiro trabalha com prazo longo. Nesses casos, a questão deixa de ser quanto prazo dar e passa a ser como proteger o que fica em aberto.
A própria pesquisa da Coface mostra que o seguro de crédito foi a ferramenta de gestão mais citada pelas empresas da região, por 35% delas. Também mostra que 21% não usavam nenhuma ferramenta de proteção, mesmo com atrasos frequentes.
O seguro de crédito permite manter prazo competitivo com a exposição coberta e análise de limite por comprador. Ele não substitui a política de crédito; trabalha junto com ela. Para entender o papel da apólice na carteira, veja os benefícios do seguro de crédito.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo médio de pagamento B2B no Brasil?
Segundo a pesquisa de pagamentos da Coface para a América Latina, o prazo médio no Brasil foi de 66 dias em 2026, o mesmo de 2025. É o mais longo da região, empatado com a Argentina.
Qual é a média de prazo na América Latina?
A média regional caiu de 59 dias em 2025 para 56 dias em 2026. O Peru teve o prazo mais curto, 43 dias.
Quantas empresas enfrentam atraso de pagamento na região?
Na América Latina, 79% das empresas relataram atrasos em 2026, ante 77% em 2025. O atraso médio ficou em 33 dias na região; no Brasil, caiu de 35 dias em 2025 para 31 em 2026.
Como calcular o capital de giro preso no prazo de pagamento?
Divida o faturamento mensal a prazo por 30 e multiplique pelos dias de prazo. Some os dias médios de atraso para chegar mais perto do prazo efetivamente realizado.
Dá para manter prazo longo sem aumentar o risco?
Dá, com limite por cliente, faixas de risco, gatilhos de revisão e proteção dos recebíveis. O seguro de crédito é uma das ferramentas para manter prazo competitivo com a exposição protegida.
Fontes: Coface — Latin America Payment Survey 2026: Tightening Credit Conditions Amid Persistent Payment Delays (em inglês), junho de 2026, e a nota América Latina: empresas restringem crédito diante do aumento dos atrasos nos pagamentos, de 16/06/2026; consultadas em 13/10/2026.
A TradeRisk pode apoiar sua empresa na definição de prazo e limite por cliente e na proteção dos recebíveis. Agende uma conversa.
