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    Brasil, 66 dias: por que o prazo B2B divide com a Argentina o topo da América Latina

    TradeRisk21 de outubro de 20266 min de leitura
    Brasil, 66 dias: por que o prazo B2B divide com a Argentina o topo da América Latina

    O prazo de pagamento B2B no Brasil é de 66 dias em média, o mais longo da América Latina, empatado com a Argentina e dez dias acima da média regional de 56. O dado é da pesquisa anual de pagamentos da Coface, publicada em junho de 2026. Para o fornecedor, cada dia além da média é capital de giro parado na mão do cliente e risco de crédito que fica mais tempo em aberto.

    O que a pesquisa da Coface mostra sobre o prazo médio de pagamento?

    A Coface, seguradora de crédito, ouviu 272 empresas, com resultados para seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru), entre abril e maio de 2026, no estudo Pesquisa de Pagamentos América Latina 2026. Os números que importam:

      • Brasil: 66 dias de prazo médio em 2026, o mesmo patamar de 2025
      • Argentina: 66 dias, ante 57 no ano anterior
      • Média regional: 56 dias, ante 59 em 2025
      • Peru: 43 dias, o prazo mais curto da região

    O Brasil ficou parado no topo: enquanto Chile, Colômbia e Peru reduziram prazo, o fornecedor brasileiro manteve a mesma janela de pagamento, com juros básicos altos e clientes pressionados.

    Por que o fornecedor brasileiro dá mais prazo que o vizinho?

    A pesquisa aponta o principal motivo regional para conceder crédito comercial: a prática de mercado. Na América Latina, 95% das empresas venderam a prazo em 2026, ante 88% em 2025. Vender a prazo deixou de ser diferencial e virou condição para participar da negociação.

    Na leitura da TradeRisk, três fatores reforçam esse padrão no Brasil:

      • Concorrência pelo cliente. Quem encurta o prazo sozinho perde pedido para quem não encurta.
      • Cliente que financia o próprio caixa no fornecedor. Com crédito bancário caro, o prazo comercial vira a linha de financiamento mais barata do comprador, como mostra inadimplência de empresas e o fornecedor.
      • Cadeias longas. Na indústria, a venda passa por vários elos, e cada um repassa ao seguinte o prazo que recebeu.

    A Coface registra que o custo alto de financiamento foi citado com mais força no Brasil, onde 36% das empresas o apontaram como fator dos atrasos, com a Selic em 14,5% no início de junho de 2026. Prazo longo e dinheiro caro se alimentam: o cliente estica o pagamento, e o fornecedor paga o mesmo custo para cobrir o buraco.

    Quanto capital de giro esses 66 dias prendem?

    Divida o faturamento mensal a prazo por 30 e multiplique pelo número de dias de prazo. O resultado é quanto da receita fica, em média, na carteira de recebíveis.

    Um exemplo hipotético: uma indústria que fatura R$ 3 milhões por mês a prazo vende cerca de R$ 100 mil por dia. Com 66 dias, carrega perto de R$ 6,6 milhões em contas a receber. Se praticasse a média regional de 56 dias, seriam R$ 5,6 milhões. A diferença, R$ 1 milhão, é caixa que precisa vir de capital próprio ou de dívida.

    Dois cuidados na leitura:

      • Prazo concedido não é prazo realizado. O atraso soma dias à conta. Na pesquisa, o atraso médio no Brasil caiu de 35 dias em 2025 para 31 em 2026.
      • Média esconde concentração. Um cliente grande com prazo de 90 dias pode pesar mais na média ponderada pelo valor do que dez pequenos com 30.

    O atraso também é maior no Brasil?

    Os atrasos ficaram mais frequentes e mais curtos na região. Na América Latina, 79% das empresas relataram pagamentos em atraso em 2026, ante 77% em 2025, e o Brasil ficou acima desse patamar. A duração média do atraso caiu de 42 para 33 dias na região.

    O motivo mais citado para os atrasos foi a inadimplência dos próprios clientes, mencionada por 63% das empresas. É o efeito em cascata: quem não recebe deixa de pagar o fornecedor. Segundo a Coface, com base em estatísticas nacionais, o Brasil teve recorde de 2.466 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 13% sobre o ano anterior.

    Prazo longo e atraso frequente formam a combinação mais cara para a carteira: o dinheiro demora mais para entrar e, quando não entra, a exposição acumulada é maior. Para organizar a cobrança desde o primeiro dia de atraso, veja a régua de cobrança B2B.

    Quando vale encurtar o prazo de pagamento de um cliente?

    Encurtar prazo para toda a carteira costuma custar venda; a decisão funciona melhor cliente a cliente. A revisão da carteira por porte está em inadimplência B2B e política de vendas a prazo. Considere reduzir quando:

      • O cliente atrasa de forma recorrente, mesmo que pague no fim
      • A exposição está concentrada em poucos compradores
      • O cadastro está desatualizado ou o cliente se recusa a atualizar
      • O setor do cliente piorou, com mais pedidos de recuperação judicial ou demanda em queda
      • O pedido novo foge do padrão de volume ou de prazo do histórico

    Alternativas ao corte puro: desconto para pagamento antecipado, entrada parcial, prazo menor só para pedidos acima de determinado valor ou parcelamento da mesma venda em vencimentos mais curtos.

    Como ligar prazo à classificação de risco do cliente?

    Prazo é decisão de crédito, não só comercial. Defina faixas de risco para a carteira e associe a cada faixa um prazo máximo e um limite:

      • Risco baixo: prazo de mercado, limite revisado uma vez por ano
      • Risco médio: prazo de mercado com limite menor e revisão semestral
      • Risco alto: prazo encurtado, pagamento antecipado parcial ou venda à vista

    Gatilhos de revisão evitam que o cliente mude de faixa sem que ninguém perceba: atraso acima de um número de dias definido, protesto, pedido de recuperação judicial de um grande cliente dele ou variação brusca no volume de compra. O passo a passo está em análise de risco de crédito de pessoa jurídica.

    Onde a proteção de recebíveis entra nessa conta?

    Nem sempre dá para encurtar. Às vezes o cliente é estratégico, o concorrente oferece 90 dias ou o setor inteiro trabalha com prazo longo. Nesses casos, a questão deixa de ser quanto prazo dar e passa a ser como proteger o que fica em aberto.

    A própria pesquisa da Coface mostra que o seguro de crédito foi a ferramenta de gestão mais citada pelas empresas da região, por 35% delas. Também mostra que 21% não usavam nenhuma ferramenta de proteção, mesmo com atrasos frequentes.

    O seguro de crédito permite manter prazo competitivo com a exposição coberta e análise de limite por comprador. Ele não substitui a política de crédito; trabalha junto com ela. Para entender o papel da apólice na carteira, veja os benefícios do seguro de crédito.

    Perguntas frequentes

    Qual é o prazo médio de pagamento B2B no Brasil?

    Segundo a pesquisa de pagamentos da Coface para a América Latina, o prazo médio no Brasil foi de 66 dias em 2026, o mesmo de 2025. É o mais longo da região, empatado com a Argentina.

    Qual é a média de prazo na América Latina?

    A média regional caiu de 59 dias em 2025 para 56 dias em 2026. O Peru teve o prazo mais curto, 43 dias.

    Quantas empresas enfrentam atraso de pagamento na região?

    Na América Latina, 79% das empresas relataram atrasos em 2026, ante 77% em 2025. O atraso médio ficou em 33 dias na região; no Brasil, caiu de 35 dias em 2025 para 31 em 2026.

    Como calcular o capital de giro preso no prazo de pagamento?

    Divida o faturamento mensal a prazo por 30 e multiplique pelos dias de prazo. Some os dias médios de atraso para chegar mais perto do prazo efetivamente realizado.

    Dá para manter prazo longo sem aumentar o risco?

    Dá, com limite por cliente, faixas de risco, gatilhos de revisão e proteção dos recebíveis. O seguro de crédito é uma das ferramentas para manter prazo competitivo com a exposição protegida.

    Fontes: Coface — Latin America Payment Survey 2026: Tightening Credit Conditions Amid Persistent Payment Delays (em inglês), junho de 2026, e a nota América Latina: empresas restringem crédito diante do aumento dos atrasos nos pagamentos, de 16/06/2026; consultadas em 13/10/2026.

    A TradeRisk pode apoiar sua empresa na definição de prazo e limite por cliente e na proteção dos recebíveis. Agende uma conversa.